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As
baleias francas são cetáceos de grande tamanho, podendo
atingir, segundo registros históricos, mais de 17 metros de comprimento
nas fêmeas e pouco menos nos machos, muito embora participantes
da caça à baleia franca no litoral do Estado de Santa Catarina
nas décadas de 1950/60 afirmem categoricamente que animais com
mais de 18 metros foram capturados nas imediações de Garopaba
e Imbituba. O corpo é negro e arredondado, sem aleta dorsal e a
cabeça ocupa quase um quarto do comprimento total, nela destacando-se
a grande curvatura da boca, que abriga, pendentes, cerca e 250 pares de
cerdas da barbatana, que são ásperas e na sua maior extensão
negro-oliváceas. O ventre apresenta manchas brancas irregulares.
As fêmeas trazem mamilas na região inguinal e glândulas
mamárias que podem ser bastante espessas, até cerca de 10cm.
As
fêmeas adultas, segundo registros de captura, podem chegar a pesar
mais de 60 toneladas, enquanto que para os machos pesos acima de 45 toneladas
não são incomuns. A identificação de sexo
nas baleias adultas por padrão comportamental é apenas possível
no caso de fêmeas adultas acompanhadas de filhotes em suas áreas
de reprodução; em outros casos, somente a observação
da morfologia da região anogenital é determinante, as fêmeas
possuindo fendas mamárias em ambos os lados da fenda genital e
os machos apresentando ausência destas fendas e ânus bastante
afastado, distinguível, da fenda genital. A camada de gordura que
reveste o corpo das baleias francas é notável, podendo chegar
a 40cm de largura em alguns pontos.
O
“esguicho” das baleias francas é bastante característico,
em forma de “V”, resultante do ar aquecido expelido muito
rapidamente quando da respiração e da vaporização
de pequena quantidade de água que se acumula na depressão
dos dois orifícios respiratórios quando o animal emerge
para respirar. A altura do esguicho pode chegar a atingir de 5 a 8 metros,
sendo mais visível em dias frios e com pouco vento, e o som causado
pela rápida expelida de ar pode ser ouvido muitas vezes a centenas
de metros.
A mais marcante característica morfológica da espécie,
entretanto, é o conjunto de calosidades ou “verrugas”
que apresentam as baleias francas no alto e nas laterais da cabeça.
Trata-se de estruturas notáveis formadas por espessamentos naturais
da pele, que nascem já com o animal e são relativamente
macias em fetos e filhotes
recém-nascidos, mas tornam-se mais rígidas com o crescimento
do animal; entretanto, seu tamanho relativo e forma não se alteram
ou alteram-se pouquíssimo, permitindo seu uso para identificação
visual dos indivíduos. As “verrugas” são geralmente
acinzentadas ou branco-amareladas, neste último caso - o mais
freqüentemente observado - tendo sua cor aparente influenciada
pela cobertura maciça de ciamídeos, crustáceos
anfípodos que colonizam as “verrugas” dos filhotes
pouco após o nascimento, provenientes da pele da própria
mãe, e acompanham a baleia franca por toda sua vida. Destes crustáceos,
Cyamus ovalis que é branco vive em grande quantidade sobre as
calosidades; C. erraticus, alaranjado, vive na base das calosidades
ou em depressões da pele, sendo facilmente observado em grandes
massas sobre a pele de baleotes pequenos; e C. gracilis, amarelado,
forma grupos menores nas calosidades. O papel desempenhado por estes
crustáceos acompanhantes das baleias francas - se de parasitas
alimentando-se da pele ou meros comensais - ainda não se encontra
perfeitamente estabelecido, muito embora não causem dano aparente
às baleias.
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| As
nadadeiras peitorais em formato de trapézio
também são típicas das baleias
francas. |
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Até o presente a função exata destas calosidades
tão características do gênero Eubalaena são
objeto de controvérsia, muito embora se tenha demonstrado
que elas são utilizadas em interações agressivas
entre machos, que portam não raro marcas na pele correspondentes
aos arranhões de calosidades de outros indivíduos.
Além de agressão intraespecífica, especula-se
que o padrão das calosidades, bem como o das manchas brancas
ventrais, possa auxiliar no reconhecimento de indivíduos
entre os próprios animais, de onde o seu uso para a pesquisa
por foto-identificação seria mera repetição
do que as baleias já fazem entre si. |
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