Conhecendo as Baleias Francas Uma por Uma

 

Estudar as baleias francas em seu ambiente natural é um desafio; elas realizam grandes migrações no Hemisfério Sul, entre suas áreas de alimentação e reprodução, e passam a maior parte do tempo submersas. Porém, pesquisadores descobriram uma ferramenta especial: a possibilidade de distinguir uma baleia da outra através de marcas naturais. Com esta ferramenta, os pesquisadores do Projeto Baleia Franca podem identificar as baleias individualmente e acompanhar boa parte de suas vidas, conhecendo mais sobre elas a cada nova avistagem.

 

 

As baleias francas são identificadas individualmente através das calosidades que possuem na cabeça. Estas calosidades são estruturas formadas por espessamentos naturais da pele, localizados nos mesmos lugares onde os humanos têm pêlos na região da cabeça – topo da cabeça, queixo, mandíbula, e acima dos olhos. As calosidades por si só são em geral cinza escuro, ligeiramente mais claras que a cor da pele das francas, mas são colonizadas por centenas de pequenos crustáceos chamados ciamídeos (ou “piolhos de baleia”) que as conferem coloração branca ou amarelada. A presença dos ciamídeos ajuda no destaque das calosidades nas fotografias que os pesquisadores utilizam para a identificação individual das baleias francas.

 

 

 


Além das calosidades, os pesquisadores podem utilizar cicatrizes e outras marcas naturais existentes em algumas baleias francas.

Cada baleia foto-identificada recebe um número, e as mais conhecidas às vezes são até batizadas com nome. Ao analisar novas fotos de baleias francas em águas brasileiras, podemos ampliar o conhecimento sobre os indivíduos desta população.

Além disso, os registros fotográficos feitos em outras áreas freqüentadas pelas baleias francas podem fornecer informações sobre onde as baleias encontram-se em diferentes temporadas reprodutivas, quando e onde elas têm seus filhotes, e ainda, quanto tempo vivem. A comparação das fotografias aéreas indica que as fêmeas de baleias francas podem freqüentar mais de uma área de reprodução em anos distintos para o nascimento de seus filhotes. Algumas fêmeas que parem no sul do Brasil já foram fotografadas com filhotes na área de reprodução da Península Valdés, Argentina.


Os levantamentos aéreos realizados pelo Projeto Baleia Franca permitiram a criação do Catálogo Brasileiro de Foto-identificação de Baleias Francas. Este catálogo é o arquivo oficial de fotografias das baleias francas que freqüentam as águas brasileiras, produzido e mantido pelo Projeto Baleia Franca.

O Catálogo Brasileiro possui mais de 20 anos de história da população de baleias francas em águas brasileiras, contendo dados sobre taxa reprodutiva, ocorrência e distribuição de mais de 300 indivíduos. Este Catálogo se tornou uma ferramenta valiosa para conhecer as baleias individualmente e aprender mais sobre seus hábitos e sua reação às mudanças produzidas em seu habitat pela ação humana.

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