| |


Durante o ano de 1981, o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão
Câmara, um dos líderes na luta contra a continuidade da caça à baleia
no Brasil (praticada até 1985 por japoneses instalados na Paraíba), por
iniciativa própria, principiou a investigar relatos de pescadores e freqüentadores
da costa catarinense atestando que “baleias pretas” estavam aparecendo
esporadicamente no litoral Sul do Brasil, e organizou um grupo de voluntários
para, com pouquíssimos recursos obtidos no Exterior, realizar uma busca
no litoral do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, realizando não
apenas observações diretas da costa como entrevistas nas comunidades
locais que pudessem elucidar melhor a identidade do animal em questão.
Já
em 1981 tais entrevistas indicavam a presença regular recente de “baleias
pretas” com filhotes. Com a continuidade das buscas, em agosto de 1982
a avistagem de uma fêmea adulta e seu filhote na praia de Ubatuba, Ilha
de São Francisco do Sul, SC, e de várias outras observações posteriores
de pares de mãe e filhote no mesmo ano vieram a confirmar o status do
litoral catarinense como área ativa de reprodução das baleias francas
no Brasil.
Uma análise das avistagens registradas por mais de vinte anos de atividades
contínuas demonstra a existência de uma área de concentração nitidamente
marcada, situada entre a Ilha de Santa Catarina e o Cabo de Santa Marta,
na costa catarinense, em que os censos aéreos realizados corroboraram
as avistagens de terra em determinar tal faixa
de maior concentração sazonal dos animais. Ao longo dos anos
seguintes, a partir de 1982, continuaram as atividades do já então denominado
Projeto Baleia Franca, cujo objetivo fundamental, até hoje inalterado,
é garantir a sobrevivência e a recuperação populacional da baleia franca
em águas brasileiras.

|
|
 |